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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Luís Fernando Veríssimo


Tentei dizer quanto te amava, aquela vez, baixinho
mas havia um grande berreiro, um enorme burburinho
e, pensado bem, o berçário não era o melhor lugar.
Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado,
cada  um  recém-chegado você sem saber ouvir, eu sem saber
falar.
Tentei de novo, lembro bem, na escola.
Um  PS  no   bilhete   pedindo   cola  interceptado  pela
professora como um gavião.
Fui parar na sala da diretora e depois na rua
enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua.
A vida é curta, longa é a paixão.
Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo:
“Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo”
E você não disse nada. 
Só mais tarde, de ressaca, atinei.
Cheio de amor e Cuba, me enganei e disse  tudo  para  uma
almofada.
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